terça-feira, outubro 06, 2009

Um fim encomendado

Hoje terminei uma amizade registada com aviso de recepção. Desta vez não foi como as outras. Desta vez foi uma condição assinada e devolvida ao remetente. E se esta história desse um filme, seria agora o momento em que a música sairia certamente de um piano. Lá fora estaria certamente a chover (e não é que está?) e o meu rosto estaria reflectido num vidro de uma montra qualquer a ver um flashback de gargalhadas, de passeios ao sol, de filmes partilhados numa sala de cinema, de tardes vividas em esplanadas. Só momentos felizes, que no fim é só isso que vale a pena.

Mas seria
um drama, com certeza. E teria daqueles saltos temporais, cheios de acção, para a frente e para trás, para o passado e para o futuro, como num filme do Tarantino. E teria muitos gritos e costas voltadas e lágrimas e insultos, como num filme do Almodôvar. E teria momentos confusos, muito confusos, como num filme do Kubrik. O fim chegou agora. Com aviso de recepção.