sexta-feira, setembro 25, 2009

VIP, very idiotic people
















Por vezes, por motivos de obrigação profissional, sublinhe-se o profissional, tenho de lidar com pessoas do chamado "social". Seres que vivem para encher o bucho com hors d'oeuvres pré-mastigados e posar para os flashes amontoados das revistas cor-de-rosa em frente de um banner publicitário qualquer. Desde que no fim levem o saquinho das surpresas para casa, marcham tudo. Lançamentos de livros, desfiles de moda, abertura de restaurantes, casamentos, velórios, apadrinhamento de animaizinhos, sessões de depilação a laser and so on and on and on. A brigada nacional do croquete é sempre a mesma. A actividade profissional é normalmente transmitida na TVI e retratadas nas revistas da especialidade. Mas nestes eventos também há muitas "Relações Públicas", aka pessoal que não tem uma categoria profissional definida na Repartição de Finanças. E há os acompanhantes. E há os penetras. Que não são necessariamente duas coisas distintas. Mas essas pessoas assumem publicamente o seu nada em todas as fotos. Sabem que existem pouco além das capas das revistas. Pelo menos enquanto meras figuras públicas. Quero acreditar que alguns fazem-no apenas por motivos contratuais, que nem sequer gostam. A maioria pavoneia-se, ok, mas alguns escolhem um profile mais low.

E depois há os jornalistas do social. Nunca fazem as perguntas certas às pessoas indicadas sobre os temas adequados. Procuram "ângulos" onde não existem sequer perspectivas. Criam manchetes com as manchas do vestido de alguém. Fazem da agenda profissional a pessoal. Misturam trabalho com lazer. Misturam-se naquela selva de nada. Mas não admitem essa não-existência. E aqui nem sequer vou dar o direito ao contraditório. E sabem porquê? Porque ninguém é obrigado a trabalhar para uma revista/jornal dessa natureza. E vou dar um exemplo. Uma vez perguntaram-me se queria fazer um serviço para uma revista vermelho-esbatido. Como nunca tinha experimentado tal coisa, vamos embora. O evento (é sempre um "evento") era um lançamento de um livro num bar da moda (where else?). OK. Lá fui eu, com o intuito de entrevistar a autora do livro, reportar o ambiente da festa, bla bla bla. Dia seguinte liga-me a editora a perguntar como correu. Contei-lhe que até tinha umas declarações engraçadas da autora. Monólogo da senhora ao telemóvel: "Mas falaste com mais quem? Quem é que estava lá? Disseram que a Joana Solnado estava lá! E ela cortou o cabelo! Por que é que ela cortou o cabelo? Sabes? Tens de perguntar essas coisas! Se ela cortou o cabelo é porque há notícia...." and on and on and on.
Nunca fui levantar o cheque.