segunda-feira, agosto 03, 2009

Vizinho, s.m.

1. Próximo, que está perto.

2. Contíguo; limítrofe.

3. Confinante; análogo; semelhante; não afastado (parente).

4. Cada um dos habitantes de uma povoação.

5. Morador; aquele que habita perto de nós.

6. Casa habitada.

Proponho uma revisão imediata na entrada desta palavra nos dicionários. Proponho que se explique efectivamente a alguém que pega no livrinho da sabedoria linguística que raça é esta. Porque o vizinho é aquele ser que pode ser muitas coisas, mas quando aplicado a mim, acontece sempre ser só uma: barulhento.

Vamos lá então fazer uma retrospectiva:

Primeira habitação: 1. Vizinha do lado com problemas vários, entre os quais, ser vítima de violência doméstica, o que, parecendo que não, ainda faz algum barulho, e ter dois netos que tinham como nome do meio “mafarrico”. 2. Vizinha de cima com um grave problema de surdez, o que fazia com que, tanto as conversas ao telefone, como o som do relato da bola ou da novela das 23h45 da TVI, se ouvissem perfeitamente em qualquer lugar do bairro. 3. Vizinhos do prédio em geral que praticavam sapateado nas escadas do prédio, sendo que a hora ideal para a prática desta modalidade tão esquecida pelas massas era por volta das 7h25 e, claro, aos fins-de-semana.

Segunda habitação: Prédio muito mais sossegado e isolado do que o primeiro mas igualmente a contar com uma mafarrica de 9 anos a viver mesmo ao lado. Hobbies favoritos da criancinha? Jogar à bola no corredor, cantar em plenos pulmões e com voz bem esganiçada temas do André Sardet. Onde? No corredor. Correr a maratona em barreiras e com o triplo salto também no corredor. A que horas? Pela fresquinha, sempre. E ao fim-de-semana, de preferência.

Terceira habitação: Prédio com dois andares apenas. Prédio com três moradores apenas. Prédio com uma vizinha idosa invisual mesmo ao lado. Previa-se a perfeição. Previa-se ouvir o silêncio. Porém, a senhora, além de ter mau feitio e possíveis antecedentes criminais, tem família. E é uma família com gente a mais, que fala alto de mais, que canta alto de mais e que, infelizmente, vai ver a senhora vezes de mais, isto é, de manhã e, claro está, aos fins-de-semana. Ontem foi dia de karaoke, aka holocausto auditivo contemporâneo. Depois de uma violenta discussão, com muitos alhos à mistura, para condimentar a conversa, seguiu-se naturalmente (?) uma sessão de cantoria. Ele era Adelaide Ferreira, ele era Marco Paulo, e “os óculos de sol, que levo para chorar, uuuh uhhhh para ninguém ver” e o raio que os parta a todos.


Resumindo a coisa: no dicionário dever-se-ia ver a seguinte definição:


Vizinho s. m.

1. Próximo, que está DEMASIADO perto.

2. Contíguo; limítrofe MAS COM NECESSIDADE DE CRIAR BARREIRAS, PORTAGENS E/OU FRONTEIRAS.

3. Confinante; análogo; semelhante; não afastado (parente) MAS COM FAMILIARES QUE FAZEM MUITAS VISITAS AOS FINS-DE-SEMANA

4. Cada um dos habitantes de uma povoação SÃO SEMPRE MUITOS AOS FINS-DE-SEMANA

5. Morador; aquele que habita perto de nós E QUE DISCUTE SEMPRE MUITO ALTO COM A FAMÍLIA TODA E BATE AS PORTAS COM UMA VIOLÊNCIA HULKIANA NOMEADAMENTE DE MANHÃ E AOS FINS-DE-SEMANA

6. Casa habitada POR PESSOAS QUE SÓ SABEM CANTAR, GRITAR, METER O BEDELHO NO ALHEIO PRINCIPALMENTE DE MANHÃ E AOS FINS-DE-SEMANA