quarta-feira, agosto 19, 2009

Consulta de cabeleireiro

Ontem foi dia de ir à tosquia. Coisa pouca, que o meu cabelo está na fase do pré-comprido e eu gosto. O que eu já não gosto assim tanto é das conversas que se praticam no cabeleireiro. Ou são daquelas de circunstância (boooooring) ou daquelas que dão temas para posts aqui na chafarica. Como ontem, que estava uma senhora cheia de papel de alumínio da tola e com um ar de quem tinha tomado até aquela hora 36 Xanax. Mas atenção, a parte do papel de alumínio, apesar de parva, serve para fazer madeixas, por isso, não comecem já a gozar com a senhora. Podem gozar, sim, com aquilo que ela começou a contar à cabeleireira (e a mim, indirectamente, que estava ali, queda, à espera da minha vez).

“Ele não pode provar que eu tenho um amante”.

Zás, entrou logo a matar.

“Não pode. Nem uso o mesmo telemóvel. E ainda por cima comprei daqueles sem assinatura e tudo. Não pode provar, pois não?”.

Aqui comecei a reparar numa ligeira hesitação... E depois continuou a contar a história, que poderá bem tornar-se no guião da próxima novela da TVI. Pois que a senhora alugou um T3, para ela e para o filho, e saiu de casa. E porquê? Ora, por causa do vilão, pois claro! O Sr. Marido alcoólico.

“Ele vinha com ela fisgada. Bebeu cinco copos de vinho e um bagaço no fim”.

MEDO.

“Depois esperou que o filho saísse da sala e foi buscar uma navalha.”

PÂNICO.

“Chegou-se ao pé de mim e disse que se descobrisse que eu tinha um amante me cortava a garganta”.

FRAQUINHO.

Então…. Tanta coisa e depois é só isto? Estava eu ali toda interessada no desenrolar da novela, já a imaginar uma cena toda sanguinária, com muitos detalhes do tipo CSI, e depois foi só uma ameaçazita! Até o Crime na Pensão Estrelinha teve mais acção que isto, minha senhora!

Mas falemos agora mais a sério. Será que a senhora conseguiu ler o que dizia à porta do cabeleireiro? É que aquela pessoa que corta cabelos (e muito bem, devo já dizer, que nas minhas melenas só toca gente de gabarito) não é da polícia, não é psicóloga, psiquiatra, terapeuta, vidente... Aquela pessoa corta cabelos, pinta cabelos, arranca cabelos. Não trata da cabeça em si!
E eu, pobre alma influenciada por todas as histórias que ouço na vida (malditas imagens mentais!) fico muito traumatizada com estas coisas e depois faço o quê? Lá terei de ir outra vez ao cabeleireiro, não é?