terça-feira, julho 28, 2009



E é assim. Quando menos esperamos, lá vem ela. Começa por um tremor de pernas, por uma sensação de desconforto, uma dorzinha que incomoda as paredes do estômago, até que chega às mãos, que se curvam entre os dedos. Tudo para anunciar a sua chegada. Sim, que esta menina gosta muito de se exibir. Gosta de mostrar que é forte e que consegue perturbar a boa-disposição inata em mim. Ela, a desilusão. Depósitos de esperanças vãs, que nem sequer se procuraram, são defraudados às claras, sem que ninguém dê por isso. Nem tu, nem eu, nem mesmo o ser mais racional. Porque a desilusão vem do que não existe. Porque a desilusão existe do que nunca houve.


A partir deste ponto tudo muda. Generalidades em mim.


Em movimentos supersónicos desligo-me de realidades criadas paralelamente, para não magoar. E vamos bebendo cafés enquanto o sono não chega. Uma contradição que tradicionalmente prova o contrário. Dorme-se quando não se quer sonhar. Aqui é assim. Nos sonhos vêm imagens adversas, palavras nunca ditas. Nunca chegam os tais tremores de pernas nem as dorzinhas nas paredes do estômago, não. Essas só chegam depois. Bem acordados são os sentidos que só não se sentem a dormir.


Da desilusão sonha-se não sentir mais.