sexta-feira, junho 05, 2009

sete vezes mais

Há sete anos que não te desejo os parabéns. Há sete anos, quatro dias antes, vi-te pela última vez. Estavas fraco, diziam os médicos. Eras forte, digo-te eu.
A saudade é tramada. Consegue trazer-nos tantos sorrisos quantas lágrimas choradas no escuro. Mas por ti a saudade sorri em branco. Ficam sempre as coisas boas, não é? Damos ao esquecimento as casmurrices, as coisas que entregamos à idade, e juntamos ao peito pequenas colecções de felicidade. Vejo-te em fotos e lá estás tu, a sorrir. Vejo-me no reflexo dessas imagens a devolver-te a alegria que sentias quando me vias.
Nunca verás rugas no meu rosto. Mas as tuas ainda conheço de cor.
E as brincadeiras que fazias com as tuas mãos junto às minhas, farei em mãos mais pequenas, um dia.
Sete anos depois ainda magoa saber que não te posso puxar os cabelos. Uma brincadeira parva, mas que tu gostavas. Sete anos depois ainda tenho um perfume teu guardado. Para matar saudades de vez em quando. E de quando em vez renasces em mim.
Há sete anos que não te desejo os parabéns. Mas hoje é dia disso.
Por isso, parabéns, 'vô Bessa.