segunda-feira, março 23, 2009

Os betos também se abatem

Não gosto de putos betos. Mas, apesar de betos, são putos. Têm desculpa.
Não gosto de pais betos, que, além de betos, são estúpidos. Por isso, não têm desculpa.
Têm aquele ar de realeza debaixo da barriga, deixam de cortar o cabelo durante uns meses para, aos fins-de-semana, tirarem a prancha da garagem e serem cool, e adoram estacionar em segunda fila à porta do colégio dos seus rebentos. E é por esta razão, meus caros, que quase todos os dias chego atrasada ao meu local de trabalho. Estes senhores e senhoras, muito provavelmente doutores, muito provavelmente com um hífen a separar os últimos dois apelidos, deixam os seus Mercedes, Porsches e BMW no meio da rotunda e/ou à porta do colégio onde, nada mais, nada menos, passa o autocarro e/ou eléctrico que apanho diariamente. É vê-los a sair calmamente da viatura, vestir o casaquinho ao Sebastião e à Maria Concha, tirar as mochilas da mala do carro, darem um beijinho na despedida (sim, só um, há que manter a tradição) e regressam calmamente ao bólide. Não pedem desculpa ao motorista que, a esta altura já lhe deu três AVC e uma dorzinha de barriga a assistir a este cenário nem a nós, comuns mortais que nos transportamos em veículos de grandes dimensões e de cor amarela.
E isso irrita.
E isso ainda torna mais complicado começar a semana.