segunda-feira, janeiro 05, 2009

Duplo sentido

I.
E depois há aquelas pessoas que se afastam ainda antes do ano acabar e sabemos que em 2009 poucas vezes as iremos ver. E não faz mal. São caminhos que se cruzam e depois não e depois há encontros esporádicos, como numa qualquer estação de serviço. São jantares em que nada serve para conversar, porque aqui até a conversa da treta não existe sem empatia. São sorrisos tímidos, são olhares quase envergonhados, porque sabemos que já nada nos une, nem aquele mesmo encontro. E prometem-se outros, daqueles como no passado, mas sabemos que isso nunca mais voltará. Nem os rendez-vous nem mesmo nós. Nem mesmo as piadas, que merda, são sempre as mesmas. Voto no progresso, na evolução da piada, na desconstrução de qualquer embaraço imposto. E as críticas que surgem só porque escolhemos outro caminho não incomodam. Quando se está um passo à frente, o que ficou para trás é pó.

II.
Entende-se o porquê mas não se concorda. Ou, mesmo que se acene com a cabeça, as mãos já não tocam no vidro, como numa despedida de cinco minutos. Um “até já” que se tornou perene, um café que azedou, uma música que simplesmente já não toca da mesma maneira. Curiosidades que passaram a cliché, elogios frequentes que chegam ao insulto. Enfim, digo enfim intervalado por suspiros, a culminação do enfado. Querer um sol único é demais?