terça-feira, dezembro 09, 2008

Problema de expressão

Ser metropolitana (também) é usufruir da bela rede de transportes públicos da cidade. E eu, metropolitana que sou, amiga do ambiente que também sou (até porque, cof, cof, não tenho carro), viajo na Carris diariamente. Todos os dias há histórias para contar daquilo que se vê, daquilo que se ouve, mas, essencialmente daquilo que não se quer ver nem tão pouco do que se quer ouvir, mas que se vê e que se ouve à mesma. Enfim, hoje houve um momento para mais tarde recordar. A Carris brindou a sua frota com uns novos autocarros. Mercedes de marca e marcados por um particular aspecto: são autocarros falantes. À semelhança dos comboios e do metropolitano, já é possível apanhar o bus e ver num painel electrónico o nome da próxima paragem, acompanhado pela mesma informação auditiva. Excelente ideia, já que será extremamente útil para os cegos saberem o percurso do autocarro, bem como para os normovisuais mais distraídos - claramente o meu caso. Mas a questão é: será que alguém entende o que aquela coisa diz? E porquê? Porque a voz que entoa as próximas paragens, mecanizada que dói, não respeita a fonética do português. E por quê? Porque chegados à Av. Álvares Cabral, a senhora que mais parece oriunda de Leste, vocifera: "Próxima paragem: Á vê ponto Á com acento lvares Cabral". Juro. Chegando ao M. de Pombal, a menina insiste e diz "Próxima paragem: Éme ponto Pombal." Mesmo.
Qual acordo ortográfico entre os países de língua oficial portuguesa, qual quê?! Faça-se um acordo fonético com a Carris!