sexta-feira, setembro 05, 2008

O anúncio de uma morte crónica

Eu matei um amigo. Assumo já o crime, assino de imediato a confissão, tragam as algemas! Matei-o e voltaria a matar. Não me apetecia ser branda depois de quase oito anos de abraços. Não me apetecia manter uma amizade baseada em estúpidos textos de telemóvel. Apaguei-o, esqueci-o. E nem uma pontinha de remorso cresce em mim. Nada. Como aquilo que sei dele neste momento. Não há desculpas porque nem sequer há culpas. O senhor destino decidiu e por mim está decidido. Eu só cumpri o que havia de ser feito. Pôr aquele ponto final naquela história que há muito não era reescrita. Dramática, esta morte. Mas sentida. Como todas as piadas trocadas ao longo de muitos anos. Por isso tinha mesmo de ser assim. Morte visceral, quase dupla, que me levou um pouco da alma. Não doeu. Aceitei esta morte naturalmente e ainda agora morreste para mim. Nem sequer há saudades. Nem sequer há memórias.

Só existes tu = algo que mudou e que eu já não admiro.

Por isso não há flores nem abraços de despedida.
Matei-te e confesso o que fiz. E nem te atrevas a voltar para me assombrar os sonhos pois já não fazes parte da minha vida acordada.

Adeus.