quinta-feira, setembro 25, 2008

Dor de âmago

Do alto da insignificância, ele chega e diz que consegue fazer tudo melhor. De tão mau, nem reconhece a podridão que ainda agora lhe bateu nos dentes. Caminha, altivo, sem tropeçar porque a rede de segurança, tão baixa quanto ele, está ali. Daqui vejo uma distância que só me faz aproximar cada vez mais do outro lado. Caminho, ali para os lados do nada, bem sei. Mas os meus pés não sucumbem ao espírito vazio de alguém que apenas vê a riqueza em números. Foi uma agonia real, aquele momento. Outra vez. Senti as unhas dos dedos das mãos a empurrarem-me o estômago. "Querias gritar mas não podes", diz-me o pobre órgão, completamente negro, completamente rendido. Mas eu não. E irei gritar a mediocridade que me gela os olhos diariamente. Hei-de escrever um poema póstumo a toda a vossa existência.