sexta-feira, agosto 22, 2008

A primeira parte de um desejo

De todas as páginas que Maria lera, aquelas seriam as mais difíceis de virar. Sempre que o mundo sorria e a olhava de frente, Maria refugiava-se num livro. Inspirada em parcas palavras vive agarrada a um mundo que ela criou porque nunca foi criada de outra maneira. Auto-gerou-se numa agonia quase penetrante como o seu andar másculo, recheado de gestos pouco ortodoxos.
Fala com os pés em cima de uma mesa. Não é provocação, é um aparente à-vontade que ela sabe bem que não sente. Está longe o dia em que a veremos com um sorriso solarengo. Iluminada? Só a mente que alimenta com aqueles livros carregados de mofo que inundam a sua velha pasta. E é essa mente que lhe mente. Desvia comportamentos, molda atitudes, sabendo que, qual peixe fora de água, já não consegue ali respirar.
Olhos duplicados por uma cegueira quase física, mas que apenas dificultam a entrada de elogios num ouvido ao seu lado. Maria não elogia, colecciona formas sarcásticas.
Cinzentos cabelos, ténis nos pés, escondendo as dores de uns ossos pouco habituados ao esforço. Uma débil saúde arrasta-a bastas vezes para uma casa que ninguém conhece. Mas imaginamos que as quatro paredes que escondem a vida de Maria estão vazias de histórias. Páginas e capas de livros e revistas abundam. Só esses contos contam a vida de Maria. Nada mais. Nem recordações de infância nem de ontem nem de amanhã.
Maria vive ali porque não consegue ir para outro lado. A índole brilhante que aclama aos quatro ventos não é suficiente para partir. Que pena.

sábado, agosto 16, 2008

Cariño!

O Benfica jogou ontem. O Benfica mais uma vez não ganhou. Eu não gosto do Benfica. Tudo verdades inegáveis. E mais esta: este senhor faz-me ver um jogo dos lampiões por mais de 10 segundos. Olé Quique!

Imagem DR