quarta-feira, junho 11, 2008

pobre pátria podre

a vontade maior é de sair daqui. emigrar. não me convenço com dribles espectaculares nem trivelas de alto nível. eu quero ganhar um ordenado compatível com as minhas habilitações, com a entrega àquilo que faço todos os dias. eu não quero pagar mais de 500 euros por mês para viver numa casinha na minha própria cidade. eu não quero olhar constantemente para os preços dos produtos no supermercado nem fazer contas de cabeça para ver se chega o dinheiro que está na carteira ou até no banco. eu não quero regredir em vez de progredir. eu não me alimento de futebol, nem de fado, nem de festivais de música. eu quero que me atendam rapidamente num hospital. eu quero que a professora de inglês do meu sobrinho não lhe diga que o "x" em inglês não tem o som "z". eu não quero ter um primeiro-ministro que se recusa a ouvir as queixas de quem trabalha 65 horas por semana nem tão pouco um presidente da república amante do saudosismo ditatorial. não quero ficar 56 minutos numa bomba de gasolina e depois pagar 1,64 por litro. não quero ser portuguesa se isso significa ver camionistas e pescadores e professores a fazer greve constantemente. quero dignidade para os meus conterrâneos. hoje não vou ver o jogo da selecção.