sexta-feira, fevereiro 15, 2008

D.A.N.C.E.

Vozes altas de uma mediocridade que chega a anular-me. É. São pedaços de mim espalhados por uma quase esperança de mudar e para sempre. Mas isso não chega. A voz daqueles papagaios de rotinas alimentam-se dos meus amarelos sorrisos porque tem mesmo de ser assim. Parece de plástico, mas a minha sede aguenta-se bem dentro de um vidro. Mais protegida, menos dada a céleres encontros, junto-me a imagens de cores vivas para continuar. E resulta. E sinto uma quase felicidade a encher-me o peito. Vou dançar. Os pés mortiços de outrora levantam-me os braços, soltam-me os cabelos e a alma e até me ajudam a baloiçar as ancas junto a outras. Vou cantar enquanto danço, vou sorrir e deixar ser sorrida. É. Eu deixo. E o raio do papagaio que não se cala. Olha, vou simular uma abertura de boca adornada com dentes fingidos. Pode ser que ele não me perturbe os olhos mais hoje. Sim, isso, abraça o silêncio. Eu vou dançar hoje. E vou rodopiar em mim, sobre ti e quem mais vier. Mas tu ficas aí. De mão dada à boca fechada e abraçado a ti mesmo. Eu vou dançar hoje. E rodar a roda de uma saia que nem levarei vestida. Só em mim se soltarão folhos de uma roupa imaginária. Porque tu ficarás parado num quarto abafado e eu vou dançar hoje.