sábado, janeiro 05, 2008

De um regresso

Aqui estamos, certo? Lado a lado no banco de um jardim abandonado, insuficiente nas palavras, tal como nas folhas espalhadas pelo chão. Remexemos os pés, entregues à calçada desta cidade, e entrelaçamos as mãos da espera. Esperamos aqui, certo? E a puta da dor no peito que não desaparece. Assim o passeio não corre tão bem. Mas corremos à mesma e até sorrimos quando nos pedem licença para entrar. Vá, venham. Dias coloridos, abastados de histórias líricas e contos quase infantis. Assim estás melhor, certo? O tipo errado que destrói coisas acertadas e puros gestos de tudo. O nada ali ficou, envernizado para não ganhar bolor. E dos dias que passaram, flores murchas ficaram, ali num canto, que já cantou para mim uma bela canção só. Aqui fico, certo? A concordância das horas vagas matou a disponibilidade daquela música. Vá, venham de lá esses ossos, dizem eles na esquina. Por ali vou. Certo.