segunda-feira, janeiro 21, 2008

Barreira do controlo

E depois existes tu, minha rara luz. Que somes sem aviso e me apagas as cores da face. Ruborizada não fico mais. Os elogios gastam-se no vento. E de manhã, não te vejo.

Acho que te senti ontem em palavras. Ainda eras tu. Ainda eras a raridade que me iluminava as entranhas e tudo o resto. Ainda me tocavas na cara e me abraçavas com tudo. Tu, minha rara luz.

Desce e vem ter comigo. Submersa, estou. Assim consigo ver-te. Ficas mais perto e consegues arrancar-me aquele nó no peito que magoa e me perfura até aos ossos. Mas depois até consigo libertar uma genuína gargalhada e mergulho. Abano os ombros e danço com os cabelos nas mãos, como já os tiveste um dia. Nem me lembro disso. Mandei o meu corpo esquecer esses gestos e todos os fôlegos mais irrequietos e as luas que mudaram entretanto. Até porque de outra forma não respiro. Até porque de outra forma não me dou.

Morro a cada respirar. E renasço do sal que verti.