quinta-feira, janeiro 31, 2008

To read

Há uns dias definiram-me como a "miúda que passava por aí sempre com um livro na mão".
Gostei.

Viva a boa vida!



"Good Life", Kanye West featuring T-Pain

Eu tenho! Eu tenho! Eu tenho! Eu tenho! Eu tenho!

Imagem DR

Dias depois do meu pedido aqui, eis que o meu leitor de DVD recebe este presente!!! (Obrigada NDS!!!) Imagens únicas, singulares, inéditas e, como os pleonasmos nunca são demais, raras! Um excelente trabalho de equipa BBC, que durou seis anos a realizar, mostra cenas espectaculares como um lince das neves a caçar, as luzes psicadélicas da lula vampira ou o primeiro voo de um pato mandarim.
Só há aqui um "quid pro quo" nesta série lançada em Portugal. Ao invés de ouvirmos o senhor David Attenborough, temos o Eduardo Rêgo, o habitué da série BBC Vida Selvagem, transmitida pela SIC. Ele até tenta dar ali uma entoação às cenas e alguma graça à locução, mas, desculpem lá, eu preferia as "coniferous forests" do "sir" David em vez das "florestas coníferas" do Rêgo...
E já só me faltam 9 episódios!!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Ça va? Oui, vraiment!

Imagem DR

Amor.
Aquele amor que vale mesmo a pena. Como o amor que se constrói por alguém que se acaba de conhecer, por um familiar, por um vizinho, por uma forma de arte, por nós.
Tudo isto salta do filme "Enfim, Juntos", ou como se diz lá na França, "Ensemble, C'est Tout", que une duas das caras mais conhecidas do novo cinema francês: Audrey Tautou (sim, a Amélie!) e Guillaume Canet (sim, o franciú da carinha laroca).
Neste filme dá para reconhecer fragilidades pessoais, dá pa sorrir delas mesmo e até para decidir que as vamos deixar de ter. Dá para elevar detalhes e desvalorizar pretensões maiores do que nós.
De sublinhar a personagem Philibert Marquet de la Tubelière...um marquês gago aspirante a actor que só não tropeça nas palavras quando satiriza os comportamentos da sua família.
Porque a vida levada muito a sério cansa.
Porque ainda há finais felizes.
Porque hoje fez sentido ver este filme.

Tempo de Versão (2)



Lauryn Hill, "Turn the Lights Down Low", original de Bob Marley

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Obrigada João!

É curioso pensar que este simples espaço de inspirações (?) serviu de inspiração a um verdadeiro artista.
João Guerra, a genuína essência, que cria sons como se o mundo fosse todo ele feito de breves respirações.
Um ser que brilha, mesmo longe.
Um abraço que se sente, ainda que esporádico.
Obrigada por esta linda música...

Clicar aqui para ouvir

Would you bite this one?



"The Hand That Feeds", Nine Inch Nails

Susto

O medo saía-lhe das pestanas. As mãos tentavam esconder o óbvio, mas a boca traiu-a. "Tenho medo", desabafou aos pais, enquanto os carris do metropolitano raspavam e soltavam lindas faíscas cor-de-laranja. "Não sejas tonta", sossegou a mãe, que carregava um outro ser nos braços. O pai, mais severo, pediu-lhe para ter mais modos em público. Ela baixou a inocente cabeça enfeitada por missangas coloridas e pediu para que a viagem fosse mais curta. Ao ouvir o nome da próxima estação, a menina das tranças encarapinhadas levantou os olhos risonhos e levantou-se num subtil pulo. O fim da agonia estava para breve, pensou por certo. Ela sai da sua breve e recente tortura rapidamente e, atrás de si, soam dois ruidosos sons. Um deles era o de sua mãe, ainda do outro lado do vidro. A menina dos olhos negros como a sua pele chorou sozinha numa estação abandonada como ela e largou as lágrimas que, minutos antes, lhe pediram para guardar.

sábado, janeiro 26, 2008

Nome de código: Náusea

A publicidade tem lá os seus encantos. Movida pela curiosidade, lá fui eu ontem ver o super misterioso ataque a Nova Iorque no filme "Nome de Código: Cloverfield". Sim, esse da antestreia no metropolitano de Lisboa. Pois, muito bem. Depois de jantar, e sublinho o "depois de jantar", sentei-me para apreciar o tal mistério dos tempos modernos.
Aquilo não começa mal, com o típico vídeo amador a registar os momentos mais engraçados de uma festa de despedida. E assim continua por TODO o filme. Uma câmara de vídeo amador a abanar os planos todos durante quase uma hora e meia. Um "Blair Witch Project", versão ficção científica metropolitan. Tal como nesse grande épico em que jovens americanos corriam pelos bosques assustadíssimos por causa de uma coisa que desconheciam, sempre com uma câmara nas mãos e no chão e no ar e no raio que a parta, também estes 'yuppies' decidiram gravar o vulgo 'borrar da cueca' enquanto vagueiam pela Big Apple. E tal como no filme das bruxas do mato, eu fiquei super enjoada com aquele movimento constante dos planos, o chamado "motion sickness".
Meus amigos, eu pergunto: não teria sido melhor marketing associarem-se a essa grande marca de medicamento que é o Vomidrine?! Teria sido uma jogada de mestre, digo eu. Até porque com a crise na Saúde nacional, o protocolo entre as indústrias cinematográfica e farmacêutica seria um possível incentivo à tal da unidose que o sôtor Correia de Campos quer implementar.
Um bilhete de cinema, um comprimido para o enjoo.
E, assim, eu não teria saído do cinema para...vocês sabem...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Foi o tudo que te levou

O frequente sabor a tudo fez-te cair para o lado.
Queres provar, mas não podes.
Queres-te dar, mas não consegues.
Rio-me na tua cara, porque quero, mas também porque posso.
Ahahahaha.
E continuo. Rasguei aquela imagem depois de saber que jamais a colaria. Sinto que já não és matéria. Apenas uma “anima” solta por aí. Numa esquina, sei que te vou encontrar. Mas não por agora.
Somente depois de conseguir levantar-te do nada em que te tornaste.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Eu quero! Eu quero! Eu quero! Eu quero! Eu quero!

Tudo bem que o Natal já passou e o dia 2 de Setembro ainda está longe...mas, opá, eu quero taaaanto que me ofereçam este hiper mega super excelente documentário da BBC.... please! Anyone?! Só custa 49,90 eurinhos... sim?!

A tal música do anúncio



"Tonight I have to leave it", Shout Out Louds

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Quasi poético

Meu amor
sozinho
respira ofegante e
leva uma morta mão nos braços.
Rodopiar
mata
sempre que o dia
vive em alta roda.

Qualquer semelhança com a ficção…

Ouvido hoje de manhã no autocarro:
"- Sabes quem é que morreu?
- Não.
- Aquele gajo do filme dos cowboys paneleiros.
- Ai foi? Qual deles?
- O loiro.
- Morreu de quê?
- Não sei. (longa pausa) Devia ter Sida…!"

Sem comentários.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Beija-me em loop!



"Kiss me, Oh Kiss me", David Fonseca

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Barreira do controlo

E depois existes tu, minha rara luz. Que somes sem aviso e me apagas as cores da face. Ruborizada não fico mais. Os elogios gastam-se no vento. E de manhã, não te vejo.

Acho que te senti ontem em palavras. Ainda eras tu. Ainda eras a raridade que me iluminava as entranhas e tudo o resto. Ainda me tocavas na cara e me abraçavas com tudo. Tu, minha rara luz.

Desce e vem ter comigo. Submersa, estou. Assim consigo ver-te. Ficas mais perto e consegues arrancar-me aquele nó no peito que magoa e me perfura até aos ossos. Mas depois até consigo libertar uma genuína gargalhada e mergulho. Abano os ombros e danço com os cabelos nas mãos, como já os tiveste um dia. Nem me lembro disso. Mandei o meu corpo esquecer esses gestos e todos os fôlegos mais irrequietos e as luas que mudaram entretanto. Até porque de outra forma não respiro. Até porque de outra forma não me dou.

Morro a cada respirar. E renasço do sal que verti.

domingo, janeiro 20, 2008

Efeito Zyrtec

Imagem DR

"Expiação". Um filme que só vale pelas lindas imagens e planos e uma ou outra cena que roçam a perfeição. Os actores são bons. A miúda tem um ar de "Chuckie meets Carrie Fisher" que me agrada. Mas a história é lenta, pastosa e circular. Roda e não sai do mesmo sítio. E as cadeiras do Londres também não ajudaram. Para já, a desilusão cinematográfica do ano.

sábado, janeiro 19, 2008

Presente que soa a passado




'the memories offer signs that it's over, it's over.'
«Last Goodbye», Jeff Buckley

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Diz-me o que sonhas...

Esta noite, durante o estado REM, Brad Pitt himself limpou-me o quarto com o seu grande instrumento (caaaaalma)Vaporetto!! Mas que raio de subconsciente!! Tanta coisa que aquele senhor me podia fazer no quarto e tinha logo de me aspirar os cortinados!!
Freud talvez dissesse que ando a fazer uma limpeza espiritual e física. Aceito. Mas eu cá acho mesmo que tenho de limpar o quarto.

sábado, janeiro 12, 2008

Tempo de versão



Nouvelle Vague, "Blue Monday", original de New Order

positivo/negativo

Venenos anunciados à colherada matam a mesma. Mas podemos dizer que não queremos participar na chacina de comentários feitos ao lado de uma conversa sorridente. Os dentes caem de tanto espelhar mentiras e digo 'não'. Sigo em frente, ao lado de quem me quer bem, e rio e sorrio cantigas de outros dias. Das horas em que disseste 'sim'. Diz outra vez.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Dance, music, dance

domingo, janeiro 06, 2008

Encontro onírico

Curiosa luz esta, pensou ela. E continuou. Dobrou mais uma esquina e teimou em olhar para trás, quebrando a promessa feita na noite anterior. Levantou a saia que lambia o chão molhado e apressou o passo. Em frente dela estava a vergonha de uma cruel verdade desenhada num rosto capaz de ser cuspido sucessivamente. Mas beijou-o e encostou o seu cabelo àquele magro ombro. As palavras não saíram da mente nem da mentirosa boca daquela vez. Deu-se à evidência de uma despedida. Descolou-se daquele corpo e abraçou uma nova semana. Apertou bem o casaco, passou as mãos pela cara gélida a cheirar a sal e desapareceu. A luz engoliu-a, pensou ele. Mas amanhã, ela viverá novamente.

sábado, janeiro 05, 2008

welcome to the wild wild west

Imagem DR

"O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" encheu-me os olhos de beleza.
Pelas imagens distorcidas, pela calma dos cenários, pela possibilidade de pensar no desenrolar de uma história cujo final é antecipado no título. E tem o Nick Cave, que apareceu, só para matar saudades.

De um regresso

Aqui estamos, certo? Lado a lado no banco de um jardim abandonado, insuficiente nas palavras, tal como nas folhas espalhadas pelo chão. Remexemos os pés, entregues à calçada desta cidade, e entrelaçamos as mãos da espera. Esperamos aqui, certo? E a puta da dor no peito que não desaparece. Assim o passeio não corre tão bem. Mas corremos à mesma e até sorrimos quando nos pedem licença para entrar. Vá, venham. Dias coloridos, abastados de histórias líricas e contos quase infantis. Assim estás melhor, certo? O tipo errado que destrói coisas acertadas e puros gestos de tudo. O nada ali ficou, envernizado para não ganhar bolor. E dos dias que passaram, flores murchas ficaram, ali num canto, que já cantou para mim uma bela canção só. Aqui fico, certo? A concordância das horas vagas matou a disponibilidade daquela música. Vá, venham de lá esses ossos, dizem eles na esquina. Por ali vou. Certo.