sábado, março 03, 2007

Aqui e ali

E quando o sangue sobe até ao mais pequeno cabelo a circular pelos dedos das quatro mãos em uníssono é sempre tudo mais confortável. Estica-se uma perna, encosta-se a cabeça a um ombro doce e as pálpebras beijam-se momentaneamente. No silêncio entre concordâncias está a razão. Reside-se no horizonte de uma luz quase apagada, que pisca as impossibilidades aqui e ali. Branca saudade esta, que nem devia existir. E de novo o conforto e o corpo que aquece quase por vontade própria. Quando os braços não querem baixar, que se abracem, que sirvam para apanhar os desejos espalhados por aqui e por ali. E que as suas mãos acariciem sempre por instinto uma face escaldada, mas sempre doce, mesmo quando amarga. No ruído entre discordâncias está a emoção. Aqui e ali há o encontro.