quinta-feira, janeiro 04, 2007

Eu culpo o Camões

Dizem que ele é cego. Cá para mim, é surdo. Surdo e com sérios problemas de aprendizagem. Dizem que ele é um contentamento descontente. De facto, não lhe acho piada nenhuma. Ele é uma dor que desatina sem doer, ouve-se por aí. Pois eu ainda não encontrei o analgésico.
Mas quem disse que o amor é uma coisa boa? A sério?! Quem foi a alminha que espalhou esse boato? Eu não consigo ver um só aspecto positivo da coisa. Dá dores de estômago, faz-nos dizer coisas perfeitamente em desacordo com aquilo que pensamos, tira-nos o apetite, o sono, ocupa-nos a cabeça o dia inteiro e, à noite, lá está ele nos nossos sonhos. Será isto bom? Não me parece. Pelos menos durante fase da dança na corda bamba.
Eu culpo os poetas. Atiram-nos versos para os olhos que embelezam o papel mas não nos ensinam a escrever os nossos próprios poemas, nem tão pouco a compreendê-los. Por isso desisto de os ler. São letras a mais, para quem as usa como modo de subsistência. São demasiadas páginas por dia, para quem as devora como se o amanhã fosse já hoje. É teoria que sobra para quem apenas deseja a prática.
Como eu.
Adeus, poema, meu grande culpado.