domingo, janeiro 21, 2007

Do corpo

É das vísceras que vem e me dilacera o estômago, à medida que passa pela garganta e o amargo na boca fica. Prolonga-te em mim, se fores capaz. Fica, mas ao menos destrói um bocadinho das minhas entranhas. Provoca o choque, rebenta com todos os arrepios em todos os poros do meu corpo, mas faz-te sentir. Eleva a imaginação ao real, mesmo que seja para gritar um palavrão imediatamente a seguir. Mostra-te, rejeita-me, glorifica um “não” eterno, acena e parte. Ou diz que “sim” e senta-te a meu lado. Faz como quiseres que eu como à mesma. Já te vi naquele quarto, às escuras, de olhos abertos, a sorrir para mim. O cansaço faz destas coisas ou então a loucura está para breve. De todas as formas, foste a forma que eu escolhi para me assentar. Enquanto te aperto depois das folgas nos abraços que quase demos sinto-te a rebentar pelas costuras. Mesmo à medida não acredito que fiques. Nunca pensas em mim quando te experimento. Nessa ausência estou lá eu, bem sei. Talvez seja por isso que eu nunca apareci antes. A premonição de uma falha que por entre os dentes não passa. Mil vezes passaste por mim naquela noite e nem me viste. Centraste-me na negatividade de uma não-acção e viraste a cara. E eu na tua rio de desilusão.