sábado, dezembro 02, 2006

Recordação de Natal

Não tenho gostado do Natal nestes últimos quatro anos.
Não quero saber das arvorezinhas, nem dos enfeites e muito menos do presépio. Não tenho gostado do Natal e digo sempre que não quero ter nada que ver com o departamento de decorações natalícias cá em casa.
Pois, hoje, tal como em todos os primeiros dias de Dezembro dos últimos quatro anos, calha-me sempre essa tarefa. A cabeça acenava que não, mas as mãos, essas, continuavam a pendurar lacinhos dourados na minúscula árvore comprada à pressão. De forma autónoma e mais ou menos robótica, lá ia pondo mais um lacinho e outro e outro. Até que a cabeça zonza parou de acenar e deu por si coberta de lágrimas. Por tua causa. Fazíamos a árvore sempre juntos. Ias-me dando instruções que eu entendia sempre como ordens, acabávamos aos gritos, «eu é que sei» para ali, «és um chato» para acolá, até que nos sentávamos os dois, junto à mesa da sala, de braço dado, a contemplar o resultado daquela tarde de Dezembro.
Adoravas a minha companhia e dizias sempre que era «uma máquina», que conseguia fazer tudo. Tu também conseguias, avô.
E por isso quero lembrar-me da tua ausência. Não quero fazer como os outros que evitam falar de ti à mesa. Eu falo e sento-me no teu lugar para te sentir sempre mais.
Não tenho gostado do Natal porque tu não estás comigo. Mas nesta tarde de Dezembro terminei de decorar a árvore.