sexta-feira, dezembro 08, 2006

Found in translation

Local da cena: restaurante "Adega do Dantas", lá prós lados de Santa Catarina. Restaurante típico pela quantidade de jantares de grupos e pelos empregados de mesa chico-espertos. Entra o grupinho de espanhóis e lá vai o garçon com a ementa na mão. Boa noite para ali, buenas noches para acolá e ficam a decidir o que repastar. Como a ementa estava escrita num idioma totalmente estranho, a chiquitita lá chama o indíviduo de camisinha branca e calça preta.
«Lo que es picanha?», pergunta a Palomita de sobrancelha arqueada.
«Picanha?», diz o 'fáxavor' já num tom de voz acima do normal. «Picanha é carne de vaca com sotaque brasileiro», remata triunfante, acompanhado por uma gargalhada individual. A sobrancelha da guapa arqueou mais, tal como as outras pelosidades localizadas acima dos olhos dos seus amiguitos.
Estoicamente, lá continuaram a questionar sobre as outras iguarias do menú. Ele respondia, com o tom de voz sempre no sinal + do volume, não fossem eles não entender o que ele dizia, pausadamente e em bom português. Um dos nuestros hermanos cansou-se de não entender nada do que o senhor da conta lhe estava a gritar e pediu-lhe para falar em espanhol. O chefe não vai de modas e diz-lhe «quando fui a Espanha, tive de falar espanhol, meu amigo...», acompanhado novamente de um sorrisinho. Os olhos do grupinho de turistas reviraram ao mesmo tempo e só tiveram tempo de pedir umas cervejas com «z» antes de escolher o jantar. A comida, essa, deve ter-lhes sabido a amargo.