terça-feira, novembro 21, 2006

Simple as that

Ela começou a cantar aquela música que lhe arrepia até os dedos dos pés e pensou naqueles versos trémulos que descreviam na perfeição o ambiente ao qual ela se propôs. Sim, foi uma proposta e nada mais do que isso.
"Well baby I've been here before
I’ve seen this room and I've walked this floor
I used to live alone before I knew ya
And I've seen your flag on the marble arch
But Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah."

Tudo isto soava a um bolor estranho coberto por uma esperança rídicula à qual ela se entregou. Sim, foi uma entrega e nada mais do que isso. Sacudiu os ombros e sussurou uma vitória simples, mas calma, mas suave, mas tudo aquilo que ela não conseguiu ser.
À medida que os cadernos amareleciam, ela abriu a porta e a merda do vento gélido cheirou-lhe à fotografia que eles tinham tirado naquele mesmo lugar. Sim, foi uma recordação e nada mais do que isso.
Mas os versos daquele tema que lhe coça os cabelos atrás da nuca continuavam a ecoar por entre os ouvidos. Desistiu e cantarolou-a até à exaustão. Sim, foi uma fraqueza e nada mais do que isso. Ao fim do dia, ainda tinha as marcas negras dos pontapés da certeza de que nunca mais ouviria aqueles acordes quase mórbidos, naquela voz a tocar o angelical.
Deitou-se e adormeceu na exasutão. Sim, foi um dia normal e nada mais do que isso.