terça-feira, outubro 24, 2006

La fin

Sorri por entre a janela embaciada por um abafado gesto teu. Cabisbaixo, como sempre soubeste ser, prostrado num banco que tem cheiro a vazio, a velho, a ti. Encolhi os ombros perante a impotência. Os pontos de interrogação surgem sempre em catadupa, como um remoinho de águas pouco profundas, que apenas chapinham preocupações e dúvidas e mais dúvidas. Pois agora chegou aqui a certeza. Chegou mesmo agora. Vestiu um roupão para ficar mais à vontade e facilmente se encostou à cabeceira da cama. Quando um ponto final decide aparecer, não há texto que se permita continuar. Nem aquelas "never ending stories" que eu tanto gosto, assumem uma reviravolta no argumento e se definem como únicas. Não. A certeza do fim completa o ciclo temporal de um tempo, de um lugar, de certas personagens...enfim, de um enredo construído em tempos, mas que agora não tem tempo para si.
Respirei um sopro entrecalado com pequenos laivos de esquecimento. Não sabia por que suspirava, não sabia o motivo daquela má memória.
Como num filme, chegou a hora de aparecer, em letras bem gordas, o "The End", bem antes do genérico final. Aqui, é a banda sonora que conta sempre.
Por agora será, "Last Goodbye", de Jeff Buckley.
Por agora, não poderia ser outra.