sábado, outubro 14, 2006

Companhia das horas tardias

As pestanas pesam e as palavras saem mais ou menos desalinhadas do pensamento. O cabelo está mais suave, mas as horas ainda passam a correr. A memória tende a mumificar
tudo ao seu redor parece de mármore - frio, pesado, misturado. Sem adornos nas sílabas que compõem um ciclo de frases em tom monocórdico ela dá por si a rejeitar os próximos minutos. Tudo parece igual.
Os olhos não mudam a expressão, a indiferença planeia a vingança em breve. Justifica as lágrimas ao som de uma música antiga e com a esperança nova em subir uns degraus, fica imóvel por uns tempos. Ela sabe que os impulsos podem nascer a qualquer momento. Por agora, veste um casaco e vai cumprimentar o exterior. O ar faz-lhe bem.