terça-feira, setembro 26, 2006

No princípio era (e sempre será) o verbo

Não dá para entender quando as pessoas esquecem a conjugação do verbo "dar" no pretérito perfeito. Aquilo que eu dei, que tu deste, que ela deu...e depois há um encontro na rua e a estranheza incomoda as palavras soletradas quase a medo. Por momentos, apeteceu-me virar-te a cara. Era preferível. Assim, não tinha que encontrar o teu sorriso miudinho na tua face de vergonha, que, no fundo, não tens. Lembro-me de quando a amizade falava mais alto e os jantares e a idas ao cinema te juntavam à mesma mesa que eu. Mas o denominador comum saiu da minha vida e tu, como outras tantas, decidiste que a porta mais perto estava mais à mão e saíste acompanhada de remorsos.
A minha cabeça acena uma incredulidade quando vê o vosso ar atrapalhado perante a confrontação. A vossa defesa soa-me a injustiça por todos os lados. Até enjoa. A sorte é que os vossos aniversários já não constam da minha agenda.

Eu sei conjugar o verbo "esquecer" em todos os tempos.