sábado, agosto 05, 2006

A vingança é um prato que serve...quente!

«Voltou-se e para ali ficou a olhar-me com desdém, recuando face àquele dia que já passou. Parou, levemente levantou a sobrancelha e, arqueando pensamentos menos fluentes, atirou o copo contra a aprede dizendo um BASTA! bem sonoro. Ele já não tinha idade para estas coisas e eu também não», pensou Margarida.
E continuou: «Contou-me toda a verdade que a mentira permitiu naquele dia. O nervosismo do Carlos estava bem ramificado nos olhos cor de sangue, tal como eu fiquei na noite em que ele saiu de casa. Palavra puxa insulto, ideias antigas misturadas com piadas de café e, às tantas, lá estava ele a bater com a parede na cabeça e não o contrário. Ao contrário estava a nossa vida de 24 anos de casados, isso sim.
Apareceu-me com uma galdéria qualquer num café do Chiado há uns dias, enquanto eu bebia um chá com duas amigas. Elas coraram só de ouvir os nomes que pela minha cabeça passavam. Sim, porque nem lhes dirigi a palavra. Apenas lhe queimei as roupas que deixara no roupeiro, roupas de Inverno, que vinha «buscar depois, porque ainda está muito calor», disse-me o pateta ao telefone. Quentes estavam agora os casacos de malha e a gabardina que custou os olhos da cara em Nova Iorque.
Fomos felizes na Big Apple, ao jeito de um filme do Woody Allen, com trapalhadas pelo meio e também pelo princípio e pelo fim.
Mas fomos felizes, caramba».