quinta-feira, agosto 24, 2006

Um último respirar


Contra as evidências de um silêncio pouco se pode fazer.
E também não se quer.
É como a ideia de um castelo de cartas: cuidado! que a qualquer instante tudo pode cair.
É como uma equação para quem até gostava de gostar de matemática mas não consegue.
É uma evidência que até magoa os olhos. E até se tenta ir contra ela, refutá-la, mas de nada serve. Está ali, mesmo à nossa frente, e o tolo do coração-manteiga cega-nos a tendência natural e cedemos.
É a história a repetir-se num replay inacabável e, por vezes, num sistema de slow-motion que até enjoa. É a supra sensibilidade como desculpa para a fraqueza de espírito, é a infantilidade quando se exige um pouco mais de fato e gravata.
É a dualidade quando um só caminho devia ser percorrido.
É um desgaste permanente, uma dor no peito mesmo no meio da insatisfação. Uma incompreensão daquilo que podia ser tão fácil, mas que se enrola numa língua perfeita e o desenrolar complica-se.
Dá-se a despedida a cada aceno breve. Volta-se sempre num pé ante pé singelo, rodeado de pedacinhos de vidros que, em vez de filtrarem a luz, reflectem uma imagem pouco bonita de se ver. E que cortam.
Fundo, e sem saber bem por quê.
Ainda no meio da confusão...afasto-me.