sexta-feira, julho 07, 2006

Le prochain rendez-vous

Olhou-se ao espelho uma vez mais e ainda não era aquilo que queria ver. Escutou o som de mais uma música do último CD que comprou, girou e rodopiou, abriu os braços e sentiu que era agora. Saiu a correr, porque é sempre tarde demais para se afirmar o que se quer. Correu sob os sapatos altos que saltavam pequenas pedras da calçada e que se desviavam das pernas de outros tantos a correr para as suas vidas.
À medida que se apressava, os momentos a dois iam passando em slow motion como ela sempre viu nos filmes e gostava. Via-o a morrer aos poucos, envergonhada de não conseguir viver sem ele.
Ainda o apanhou a tempo. Puxou-lhe o casaco e sem demoras arrancou-lhe aquele beijo meio salgado pelo suor da corrida, meio amargo pelos calafrios dos nervos e totalmente doce pela lembrança de outros tantos.
Aquele encontro teve a ideia de se atrasar uma vez mais. Mas, novamente, ela aprendeu que caminhando pelo passeio, sem se aproximar daquele caminho tortuoso que sempre conheceu, tinha mais hipóteses de o encontrar outra vez.
E assim regressou a casa.