segunda-feira, julho 03, 2006

Assim és tu

No âmago do teu casaco respira uma má intenção natural. Não dá para entender por que o fazes, apenas me lembro que há bem poucos meses não eras assim. Dizem-me, num café a beber um sumo, que «as pessoas mudam», num tom conspirador e pouco amigável. Sempre soube disso. Agora, experiencio-o.
Respiro as sílabas que ainda agora me dirigiste e nem as percebi. Falas com a língua entre os dentes, as mãos sobre a cara, devias mordê-la, devias ter vergonha. Mas já não te dou importância. A mudança de ti em mim tornou-me permeável às susceptibilidades do mundo em que queres que eu viva. Eu sei que a inveja te aliciou e a culpa não foi tua, eu sei. Mas a minha rotina diária, que foge do marasmo em que vives, desperta a tua curiosidade negativa. Afirmo que, por linhas tortas, hás-de entender que a superioridade não se mede em tempo, nem em palavras, nem em esquemas mentais mais ou menos impróprios.
No entanto, é provável que não entendas. Tu só percebes quando queres e aí está a tua reduzida inteligência. Não vês que os olhares trocados são índices da tua mediocridade, que só vence em território similar. És pouco para mim e, custa muito afirmar, que o ontem poderá trazer o teu futuro amargo de boca.
Chega-te a mim que não te entendo e depois vira as costas e diz «bye bye», que as saudades não tornam os meus dias mais compridos. Mas os teus sim...