segunda-feira, julho 31, 2006

Black and White

domingo, julho 30, 2006

«O guardador de rebanhos» que eu conheci

Conheci bem o Manel das Ovelhas. «Manel», de seu nome, «das ovelhas» porque era delas que tratava. E tratava bem, pois elas lá andavam sempre ao seu redor, encantadas da vida, de barriguinha cheia.
Contava-me histórias do «intigamente», enquanto caminhava por aquelas terras livres, segurando o cajado e engolindo um cigarro enrolado à pressa.
Ele não tinha dentes e eu achava piada ao seu queixo pequenino. O Manel das Ovelhas nem sempre cheirava bem e eu dizia-lhe por entre a ingenuidade de criança. Uma gargalhada.
«Esta miúda é levada da breca».
Era, e ainda sou.
Fazia-lhe muitas perguntas, às quais ele respondia sempre com paciência, sempre com carinho. Ensinou-me algumas canções antigas, muitos ditados e insistia em dizermos a tabuada. «Porque os números fazem muita falta à cabeça», afirmava ele, desconfiando da minha queda intrínseca para as letras.
Com a passagem dos anos pelas pernas, deixei de o ver.
Ouvi dizer que morreu. Mas eu não tenho a noção do seu fim.

sábado, julho 29, 2006

Catch me if you can

sexta-feira, julho 28, 2006

Fugas/z

A mulher falava alto das suas baixas trivialidades, numa vida mínima que só conheceu aquele balcão. Lentamente, apercebeu-se que todos a olhavam e sorriu com o rubor já nos lábios.
Os olhos como peixes verdes como naquele poema nadaram a atenção para o jovem que acabava de entrar.
As rugas da cara penduravam o bom-senso de não criar uma aproximação.
Mas fê-lo.
Insinuou-se, e já com as coxas molhadas de medo, sentiu as palavras menos limpas a passar-lhe pelos dentes. Tinham passados breves horas ofegantes desde o primeiro encontro e ela já gritava por mais suor.
Os músculos jovens daquele miúdo com ar de gente grande atrofiaram-lhe os livros de maneiras que lera há uns largos anos nos corredores do liceu.
Gritou novamente e ele cantou por entre uns lençóis brancos manchados de êxtase uma melodia séria e oportuna. Ficou aquela noite e a seguinte, mas não a outra.
Ela cansou-se daquele ar borbulhento que não sabia o primeiro verso d'Os Lusíadas e mandou-o dar meia-volta até um dia qualquer.
Até lhe apetecer desligar uma vez mais o comando da sua pequena realidade.

Bater de uma porta

And then the surprise.
Pareciam moscas tontas a sair da tua boca. Com os olhos cabisbaixos como sempre, num tom fora do azul do costume, cuspiste ideias que abalaram a minha sombra.
Pela primeira vez do meu lado está a certeza. E certamente não me posso enganar outra vez. Passei ao lado das pedras da calçada - que até já me fizeram feliz, onde hoje o Sol até brilhava demais - e o seu reflexo ofuscou-me (ou seria o teu?).
A derrota linguística não me dá saudades.
Fica por aí que eu já volto.

3-0










Foto: sporting.pt

Porque nesta casa também se fala de futebol...e é sempre tão bom ganhar «aos de vermelho»!!

quinta-feira, julho 27, 2006

Sentir o vazio do que não há

Enche a mochila de ar e de roupas novas já gastas, desejando que aquele rumo seja definitivo. Mas nunca é. «Que raiva!», diz ela entre os dentes, roçando-os nos lábios cor-de-rosa mas secos pelos beijos que não devia ter trocado. «É tarde de mais» soa o relógio do seu arrependimento e do medo de que a vida não volte a ser a mesma. A diferença era o que se queria. Mas já não há.
É só mais um capítulo de uma curta biografia com erros ortográficos pelo meio, por falta de revisão, por falta de cuidado.
Mas ela não se importa e segue. Volta a ler o primeiro parágrafo, não entende bem a trama, como é habitual.
Deseja o diferente, indiferente às mudanças que esse desejo possa causar. Relutante aos avisos, aos sinais vermelhos, a cabeça bate na parede dura e nem assim amolece o coração. Só as lágrimas escorridas numa noite sem sono podem ajudar um espírito como o dela.
E aquilo que não tem, tende a transformar a rotina diária e fá-la bocejar.
E volta meia volta ela arranja um novo mapa.
Enche a mochila de ar outra vez e agora com roupas novas deseja o dia de amanhã. O «carpe diem» é chavão marcado no seu monólogo, que cansa pela falta de coerência.
Irrita-se a si própria mas vai tentar de novo.

Mas no dia em que ela bateu à porta, ele já não morava lá.

terça-feira, julho 25, 2006

Ho! Ho! Ho!

Pais natais discutem problemas do "sector"
Mais de uma centena de pais natais de todo o mundo estão reunidos, desde ontem, num congresso mundial em Bakken, na Dinamarca, para discutir os problemas que os afectam.
A cor da árvore de Natal, as tendências de moda, as datas dos festejos de final do ano, entre outros temas, estão na base do 43.º Congresso Mundial de Pais Natais, que anualmente se realiza no Verão.
Este ano, o encontro reúne 177 pais natais e duendes de dez países europeus, dos Estados Unidos e do Japão que querem "discutir os pormenores da próxima noite de 24 de Dezembro, questões que lhes vão na alma e também para fazer a festa", explicou o porta-voz do congresso, Vibeke Larsen.
Os pais natais estão "cansados de ver a árvore de Natal verde, muito monótona para o seu gosto, desejam mais cor, vivacidade e renovação junto das chaminés", refere o porta-voz. Durante o congresso de três dias, a questão principal será a discussão que mais afecta estes personagens da época natalícia - a data do Natal deverá ser sempre a mesma para evitar problemas no espírito das crianças, que não compreendem, por exemplo, porque se recebe os presentes na noite de 24 de Dezembro na Dinamarca e na manhã de 25 em França.
O congresso debaterá ainda a "possibilidade de dar presentes maiores às crianças e meios de abrir os embrulhos mais facilmente", explicaram os organizadores. O encontro realizou-se sem a presença bastante notada do Pai Natal finlandês, que continua a defender que é o único do planeta e se recusa a reconhecer que o "Santa Claus" da Gronelândia é o verdadeiro.
"Não sabemos por que é que ele não veio. Pode ser por não aceitar que os seus pares desaprovem a sua maneira arrogante de reclamar o título de Pai Natal mundial", adianta o porta-voz do congresso. Hoje, os pais natais vão de barco até ao centro de Copenhaga para um desfile anual que atrai muitas crianças. Amanhã encerram o congresso com um jantar de Natal.»
in Jornal de Notícias, 25 de Julho 2006

Half-time

Wondering how I got here it seems the place has shifted and within the air the flowers have a different smell. Now, I don't know you. The one who has a special pleasure when it comes to touch the ground of misery and grey. The ground that I have stepped on today.
Honestly I don't mind that you have forgotten those afternoons of discovery. It seems you have never remembered them at all. I don't blame you. But the flowers will. And it will be a delightful surprise when I'll see the green tears coming out of your pocket. Please, do not forsake me. You don't know me at all and all I wanted to do was to cut you out of my book.
I will keep on reading, though.

domingo, julho 23, 2006

Self-defining song

I don't want half hearted love affairs
I need someone who really cares.
Life is too short to play silly games
I've promised myself I won't do that again.

It's got to be perfect
It's got to be worth it
yeah.
Too many people take second best
But I won't take anything less
It's got to be
yeah
pertect.

Young hearts are foolish
they make such mistakes
They're much too eager to give their love away.
Well
I have been foolish too many times
Now I'm determined I'm gonna get it right.

It's got to be perfect...

Young hearts are foolish
they make such mistakes

It's got to be perfect...

It's got to be
yeah
worth it
it's got to be perfect.


By Fairground Atraction

sábado, julho 22, 2006

MEEEEEEDO...

sexta-feira, julho 21, 2006

Sono colorido

Não durmo, não consigo dormir, ou não quero, para absorver o dia todo.
A almofada grita-me aos ouvidos e perturba-me o descanso. Porém, os raios da manhã e a luz de mais um dia nem sequer me convidam a sair. E tu também não. Vens em memórias com cheiro a mofo, tal e qual como o teu jeito amorfo, fundido em imagens antigas.
Prefiro não querer saber por onde andas, se bem que por esses trilhos já eu passei.
O tiritar do calor desta noite molhou-me os olhos e humedeceu-me o rosto. Só mais uma vez. Talvez. E amanhã novamente, o fim.
Por uma recordação que aquece o fundo do estômago dou mais uma moeda pelo jornal do dia. O tal jornal e não o outro.
Imagens a preto e branco que pintam as noites de azul e vermelho e verde e às vezes com laivos de cor-de-laranja, cor-de-rosa, cor-de-qualquer coisa.
Subam
para
d
e
b
a
i
x
o
das ideias que vos impedem de mostrar as cores.
Adormeci.

For those who care

«Fractura na crosta terrestre pode formar novo oceano
Uma recente fractura da crosta terrestre no deserto africano de Afar, perto do Mar Vermelho, poderá separar a Etiópia e a Eritreia de África e formar um novo oceano, segundo uma notícia esta sexta-feira publicada pela revista Nature».

Notícia TSF, na íntegra, aqui

quinta-feira, julho 20, 2006

Só um momento


E num instante bem distante tudo se transformou.
O som beijou mais uma flor e o disparate fez pim! pam! pum! à volta do mundo.

República das Bananas


Bandeira, in DN, 20 de Julho 2006

segunda-feira, julho 17, 2006

Bate, bate coração


Desconcertante, forte, divertido, violento, sensível...a rever, certamente!

Questão retórica

Ontem, enquanto fazia zapping, reparei que o programa HermanSic é patrocinado por uma marca de ambientador de WC e por um detergente tira nódoas...será coincidência??!

domingo, julho 16, 2006

Tentativa de poemicídio

Tremores que tocaram o passado
Em mim desceram e rodopiaram em cabelos,
Como as vossas mãos unidas
Entrelaçadas nos pensamentos de há um ano.

Passados os trinta dias doze vezes por nós
A máquina do corpo pesou no lado esquerdo
E por lá ficou a marinar
Tal como eu, cansada.

Por ti me deixo
A pensar em tudo o que quis dizer
Com lábios amordaçados em juras de amor bolorentas.

Em ti me deixo
Soluçando a alegria em ver
Que o teu par a mim não é igual .

sexta-feira, julho 14, 2006

Discos pedidos


E no mini-rádio desta casa, um outro mestre, Yann Tiersen. O som da mais bela banda sonora de hoje e para sempre, do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain. Fui ao concerto dele em Fevereiro, no CCB, e quando os nossos ouvidos puderam disfrutar deste som...não evitei as lágrimas...

quinta-feira, julho 13, 2006

quarta-feira, julho 12, 2006

Hoje à tarde

Olá. Entra e fecha a porta, por favor. Não, pensando melhor, deixa-a aberta. Encostada, vá, que eu quero que as minhas palavras não vão além desta sala. Ainda tenho nos ombros a marca das alças da mochila invisível que tenho usado nestes últimos dias só para não ver a tua cara. É verdade. Fugir não faz parte do meu feitio, mas tenho-me desviado do mesmo caminho de todos os dias, só porque a tua imagem surge sempre ali ao fundo. Eu aproximo-me e tu desapareces. Acho que fazes isso para me irritar. Estou a ficar com frio, fecha lá a porta. Mas mais daqui a pouco. Agora quero atenção. Os olhos bem abertos e os ouvidos no coração, s'il vous plaît. Se non te plaît, vai à merda, que é-me igual. Não, não vás. Fica aqui mais um pouco. Já não me lembro do cheiro do teu cabelo, nem da pressão dos arrepios de quando te vi ainda há cinco minutos. Senta-te e não hesites em olhar-me fixamente. Olha bem para eu te perguntar depois «para onde estás a olhar?», provocando-te, ensinando-te bem do que sou feita. Estás a levantar-te? Mas ainda agora sorriste... Volta e recomenda-me. Não me faças chorar. Apertas-me o estômago, que já prenuncia o vómito nervosinho. E os olhos que incham com o sol e com as horas a mais dormidas. A luz reflectida no vidro do carro que ainda agora passou queimou-me a lembrança das palavras feias que tinha para te dizer. Vai-te embora agora. Levanta-te e abre a porta. A janela também, para simplesmente entrar o ar. Sim, porque as palavras já saíram todas.

segunda-feira, julho 10, 2006

E..pum!


Bartoon, de Luís Afonso

De negro, inevitavelmente

23h15 e já olhou para o relógio três vezes. «Só falta chegar a tia Alice», pensava Filipa, enquanto batia o pé nervoso no chão e levava uma curta madeixa de cabelo à boca, em jeito de desleixo e preocupação. «Fechamos o caixão e depois vamos para casa». Filipa queria descansar as pálpebras arroxeadas e os pés que não conseguiam dizer adeus àquele espaço.
Na próxima manhã ia enterrar a mãe e não tinha uns sapatos a condizer com o vestido preto de alças do mesmo tom, escondido no armário já há uns meses para aquele mesmo propósito.
Mas esqueceu-se do raio dos sapatos.
Para ela, o melhor mesmo era ir s«descalça. Sentir o calor da terra que, em breve, iria engolir a sua amiga favorita, dos longos e doces abraços antes de adormecer.
No hospital, os beijos com os braços eram gentilmente substituídos por um piscar de olhos cúmplices, quando os médicos insistiam em dizer «esperança». As duas sabiam que de nada valia esperar quando as pestanas já não abriam logo pelo sol da manhã.
Finalmente, a tia Alice chegou.
Fecha o mogno, abre a porta do carro, fecha a porta do carro, abre a porta de casa, fecha a porta de casa para amanhã abri-la e fechá-la pela última vez.
Filipa sairia para não mais voltar ali, uma casa velha com cheiro a velas de baunilha meio rançosas e às doces tortas de chocolate que a mãe lhe fazia aos domingos à noite.
Com uns ténis antigos apertados nos dedos dos pés, nas mãos umas flores brancas arrancadas do seu jardim, Filipa disse A D E U S à mãe, piscando o olho e sentindo mais um abraço.
Filipa não chorou naquela manhã.

domingo, julho 09, 2006

E agora com som!

Dado às constantes exigências da blogosfera, esta casa agora tem um saborzinho especial. Deixo-vos com a música do mestre, Astor Piazolla, mesmo junto aos links. Enjoy ;)

Adeus, Capitão*

Foto: AP
Mesmo quando jogava menos bem, era bom. Sempre deu tudo pela Selecção Nacional e o número 7 será sempre dele. É o melhor jogador português na actualidade e arredores e dos únicos que consegue apagar a imagem do futebolista «bronco». Dá a conhecer ao mundo a imagem de um país pequeno demais para a sua grandeza. Na Indonésia, há um fenómeno tal à volta deste jogador, que muitas mães registam os meninos com o nome «Figo».
O meu favorito desde sempre.
E a esperança de o ver com a camisola do Sporting outra vez é grande.
Como ele.
*Luís Figo anunciou a saída da Selecção Nacional, depois de 127 jogos com a camisola de Portugal, após o jogo frente à Alemanha, assim como Pauleta (neste caso, acho que, de facto, já era tempo de se dedicar mais às fatias...).

Resumo do Mundial

Somos os piores dos melhores...

sábado, julho 08, 2006

É oficial


Eu odeio a Floribella. Aliás, eu nunca gosto das personagens excessivamente boazinhas. Não são «reais». Woody Allen afirmou um dia que «a vida é uma metáfora da televisão». Como tal, estas personagens super mega lamechas não reportam a realidade. Daí, eu nunca desejar nem ficar feliz que elas acabem por ficar com o príncipe encantado - não se já disse, mas também não gosto de príncipes encantados.
E eu considero-me uma boa pessoa, uma pessoa boa até. Mas o beicinho que a Floribella faz cada vez que vê aquele gajo de cabelo e barba pintados de cor-de-laranja murcho...irrita-me! Na vida real, ela já teria dado um valente par de estalos à noivinha má do Frederico e tê-lo convidado para beber um copo. Ninguém aguenta na vida real o que aquela personagem aguenta. Muito menos falar com uma pedra mágica ou sei lá o que é aquilo que ela tem sempre na mão e que brilha.
E depois ela é pobre e gosta de o ser, fazendo sempre as espantosas co-relações: eu sou pobre, logo sou mais feliz; eu sou pobrezinha, logo sou mais honesta. Isto cria dúvidas durante o processo de formação das jovens mentes que vêem a novela. Futuramente, esta nova geração será um grupo de coitadinhos, que dirá «rifixe» (????) quando está muito contentinha, e que falará com fadas quando a vida der para o torto.
É isto que queremos para as nossas crianças, que elas pensem que a vida é um conto de fadas?? Faça-me um favor: não as deixem ver a Floribella.

sexta-feira, julho 07, 2006

Le prochain rendez-vous

Olhou-se ao espelho uma vez mais e ainda não era aquilo que queria ver. Escutou o som de mais uma música do último CD que comprou, girou e rodopiou, abriu os braços e sentiu que era agora. Saiu a correr, porque é sempre tarde demais para se afirmar o que se quer. Correu sob os sapatos altos que saltavam pequenas pedras da calçada e que se desviavam das pernas de outros tantos a correr para as suas vidas.
À medida que se apressava, os momentos a dois iam passando em slow motion como ela sempre viu nos filmes e gostava. Via-o a morrer aos poucos, envergonhada de não conseguir viver sem ele.
Ainda o apanhou a tempo. Puxou-lhe o casaco e sem demoras arrancou-lhe aquele beijo meio salgado pelo suor da corrida, meio amargo pelos calafrios dos nervos e totalmente doce pela lembrança de outros tantos.
Aquele encontro teve a ideia de se atrasar uma vez mais. Mas, novamente, ela aprendeu que caminhando pelo passeio, sem se aproximar daquele caminho tortuoso que sempre conheceu, tinha mais hipóteses de o encontrar outra vez.
E assim regressou a casa.

quinta-feira, julho 06, 2006

Nem assim chegámos à Final























Foto: AP

quarta-feira, julho 05, 2006

segunda-feira, julho 03, 2006

Assim és tu

No âmago do teu casaco respira uma má intenção natural. Não dá para entender por que o fazes, apenas me lembro que há bem poucos meses não eras assim. Dizem-me, num café a beber um sumo, que «as pessoas mudam», num tom conspirador e pouco amigável. Sempre soube disso. Agora, experiencio-o.
Respiro as sílabas que ainda agora me dirigiste e nem as percebi. Falas com a língua entre os dentes, as mãos sobre a cara, devias mordê-la, devias ter vergonha. Mas já não te dou importância. A mudança de ti em mim tornou-me permeável às susceptibilidades do mundo em que queres que eu viva. Eu sei que a inveja te aliciou e a culpa não foi tua, eu sei. Mas a minha rotina diária, que foge do marasmo em que vives, desperta a tua curiosidade negativa. Afirmo que, por linhas tortas, hás-de entender que a superioridade não se mede em tempo, nem em palavras, nem em esquemas mentais mais ou menos impróprios.
No entanto, é provável que não entendas. Tu só percebes quando queres e aí está a tua reduzida inteligência. Não vês que os olhares trocados são índices da tua mediocridade, que só vence em território similar. És pouco para mim e, custa muito afirmar, que o ontem poderá trazer o teu futuro amargo de boca.
Chega-te a mim que não te entendo e depois vira as costas e diz «bye bye», que as saudades não tornam os meus dias mais compridos. Mas os teus sim...

sábado, julho 01, 2006

Valha-nos Nosso Senhor...Ricardo!
















Fotos: AFP

Hoje é dia de festa











Porque 100 anos não se festejam todos os dias! Parabéns!!!!

Alguém se acusa?

Anteontem, indo eu, indo eu, a caminho do trabalho, dirige-se a mim uma senhora com cabelos brancos e pele tostada pelo sol, vestes negras, tal como é habitual no hábito da sua etnia. «Aiiiiiiii, cara linda (juro que foi isto que ela me chamou), há uma mulher que te deseja muito maliiii». E eu rapidamente a fazer contas de cabeça para ver se adivinhava a minha sorte antes dela. «Anda cá ler a tua sina, que ainda te digo o nome de um homem que está a cair de amores por ti». Aí nem foi preciso de fazer uma contagem, como tal, agradeci e desejei-lhe uma boa tarde.
Ontem, indo eu, indo eu, noutra parte de Lisboa, bem animada a ouvir dance music no mp3, quando surge uma outra mulher. A mesma pele beijada pelo sol, os cabelos compridos amarrados numa trança e de saias a varrer o chão.
«Anda cá meu amor (parece que estou em alta no mercado cigano)! Tens uma mulher na tua vida que te quer muito maliii. Anda cá que eu digo-te o nome dela».
Sorri, agradeci e continuei ao som de Jamiroquai.
Eu não acredito em bruxas, mas...