quinta-feira, junho 29, 2006

Bits and pieces

You can embellish a flower within the midst.
And yet I feel no sorrow for leaving you behind. Trying to get to the end of the road without taking a detour, here I stand, with my head burried in my pillow, with my arms reaching out for help.
That's just me.
Smiling faces everywhere and I just don't like them.
An inner voice whispers a sorrow melody and yet I die instantly.

quarta-feira, junho 28, 2006

Eu vou!




















E o CD novo já está a bombar no mp3, para, no dia 4 de Setembro, saber as letrinhas todas!!!

terça-feira, junho 27, 2006

Decisão

Enquanto virava a página de mais uma revista sem interesse, Ana encostou-se à parede de cal solta e deixou que esta lhe marcasse a camisa vermelha. Aquele pedaço de tecido quase transparente foi um presente de um amigo no seu último aniversário. E tal como a parede, aquela amizade passada tinha pintado com uma cor pouco consistente o rumo dos dois.
Luís deixou a cidade pouco tempo depois da notícia. Ainda tinha os dedos enterrados na cabeça e os joelhos a tocar a testa, quando entrou no autocarro rumo ao Porto. Tinha lá família e os olhares que o perseguiam sempre que saía à rua não alcançavam 300 quilómetros. Pensava ele.
Ana chorou a dimensão de uma nova vida e aproveitou para levantar a cabeça. Todos lhe diziam «tens que ser forte» e ela pensava que se ouvisse mais aquela conversa de treta, teria que ir embora. Mas, definitivamente, não seria como ele. A estrada foi construída recentemente e, agora, teria que se fazer ao caminho.
Luís chegou ao Norte do país ainda sem rumo. Tinha a morada da tia Alzira na mão, no bolso uns trocos que ficaram depois da compra de um jornal. Aquelas notícias não se importava ele de saber.
Ana ainda está encostada à parede quando lhe dizem para entrar. A cal da parede solta-se junto à camisa vermelha e, ao mesmo tempo, rasga-se o coração de uma mulher com outro coração dentro de si.
A caminho daquela sala com cheiro a éter, Ana começou a desfazer todas as decisões que havia tomado. «É melhor para todos», lembrava-se ela, assim como via a imagem de Luís a trair-lhe o destino quando lhe virou costas e disse que não estava preparado.
Ao despir a camisa da cor do sangue que ia ver em seguida, Ana gritou o som que havia de gritar nove meses depois.
E hoje é feliz a dobrar.

segunda-feira, junho 26, 2006

History repeating

É dificíl dar a mão à palmatória quando ela vem na direcção da tua cara. E até aponta o dedo, acompanhado de um riso estúpido cheio de podridão. Nunca te dizem «desculpa» porque não as querem pedir.
O orgulho costuma partir o espelho de quem não consegue ver o outro lado. Distorcidas as imagens, constróiem-se as realidades que se quer. Que mais convêm.
«Faz pouco barulho, que ele pode acordar», avisam.
Os sonhos quando são estremecidos com o tique-taque de um relógio podem caminhar para o lado mau.
«Eu não quero acordar», sussurra ele, meio aflito, que nem se lembra de como era antes de a conhecer.
Palpita-me que esta história repetir-se-á de forma pausada e a preto e branco. E sem som.
Como nos filmes antigos. Porque a vida com banda sonora tem mais interesse.

domingo, junho 25, 2006

Bolinho inglês























No Sábado há mais um motivo para ver o jogo de Portugal...

sábado, junho 24, 2006

Secret place

sexta-feira, junho 23, 2006

Sem luz

De olhos bem fechados

Uma doença colocou uma venda invisível nos teus doces olhos e assim ficaste por uns anos e até agora não te reconheces no ser que passaste a ser. Curvado sobre a tua figura com muitos anos nas costas e nos pés que teimam em não subir as escadas, os olhos fixam o que já não vêem. Tentas dizer que está tudo bem, quando nem tudo será igual ao que já foi.
Os olhos lacrimejam saudade e largas uma piada a cada sílaba cuspida porque é assim que os vizinhos ainda te conhecem.
Sais pouco à rua. Mas hoje cortaste o cabelo e vestiste um blusão novo. A bengala é velha como tu mas tenta endireitar-se pelo teu teimoso corpo acima.
As imagens do teu dia são tatuadas pelo escuro persistente das tuas pálpebras e agora tentas tocar todos com a voz e com as mãos.
Sim, porque os teus olhos não voltam.

quinta-feira, junho 22, 2006

(Des)interessada

Penduro os braços junto ao corpo bamboleando ao som de uma música gasta pelos ouvidos. E não se culpa o desinteresse, nem o virar da página do jornal diário. A vitória sob os sonhos saboreia-se a caminho de casa, com a camisola suada, sem muito ter trabalhado. É o esforço de todos aqueles que sabem que não podem avançar sem dar um passo em falso primeiro.
Os anos passados com gargalhadas intermináveis são relembrados por entre um chá ou dois ou até mesmo um café, porque esta noite não me apetece dormir.
Sempre que durmo, os sonhos beijam-me de tal forma que acordo com mais marcas das horas do meu dia. Como fotografias que congelam o rumo de pessoas coloridas a preto e branco. Como exposições de quadros antigos em molduras envernizadas.
Aparente(mente).

It's the meanest fire...

This is where your sanity gives in
and love begins
Never lose your grip
don't trip
don't fall
you'll lose it all

The sweetest way to die
It lies deep inside
you can not hide
it's the meanest fire

Oh, it's a strange desire
you can not lie
that's a needless fight

This is where your sanity gives in
and love begins
Never lose your grip
don't tripdon't fall
you'll lose it all
The sweetest way to die

When your blood runs dry
you're paralyzed
it will eat your mind
Did you hold it back
It comes to you in slow attacks
It's the meanest fire

Paralyzed, The Cardigans

terça-feira, junho 20, 2006

O Ken sem a Barbie



It's all about the money


















Bartoon, in Público, 20 de Junho 2006

segunda-feira, junho 19, 2006

Pessoal e transmissível

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios..
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

terça-feira, junho 13, 2006

sábado, junho 10, 2006

Post this

sexta-feira, junho 09, 2006

Já não morro sem comer gelado espacial!


Sim, hoje comi gelado fabricado especialmente para os senhores astronautas e, sim, o sabor é tão estranho como a ideia de alguém comer gelado no espaço. A embalagem dizia que era de chocolate com pedacitos do mesmo...mas, sinceramente, soube-me a esferovite... Já não lhes basta terem que fazer as suas necessidades por um tubo (sim, a maldita da gravidade zero a tal os obriga) também têm que comer coisas deste género... a lista de outras iguarias aqui.

Imagens de uma cidade

Dois rostos cabisbaixos, bebendo a ausência de si mesmos. Procuram-se por entre os carros na metrópole que os enganou e o seu cheiro a banhos esquecidos tresanda a desilusão. Chamar-lhes bêbedos não importa, indigentes, muito menos. São não-indivíduos que vivem à margem de nós e que nos comprometem o rubor das faces.
Com sacos nas mãos e um pedaço de cartão por debaixo dos corpos frios, o vinho assume a lembrança do calor que tinham em casa. Nas ruas desta cidade acumulam o fechar de um faz-de-conta esgotado, sem perlimpimpins ou príncipes encantados.
E não duvidam do azar que têm. Oiço-os a chorar no sentido inverso e os dentes de ouro daquelas bocas são a única riqueza que vivem.
Incapazes de regressar sem glória, por cá ficam.

quinta-feira, junho 08, 2006

Diz-me o que ouves...

Os Red Hot Chilli Peppers lideram actualmente o topo das tabelas de vendas com o seu mais recente álbum, «Stadium Arcadium», tanto nos Estados Unidos da América como no Reino Unido.
Em Portugal, o primeiro lugar é ocupado por um jovem actor (?) da série Morangos com Açúcar, de seu nome F.F. (os pais tiveram a originalidade de o registar com o nome Fernando Fernandes).
Se o gosto musical reflectir a evolução de uma sociedade...parece-me que a portuguesa está a azedar com tanta morangada...

segunda-feira, junho 05, 2006

Relações de conveniência

Não as tenho.
Sou genuína e não há meio «olá» para mim. Chamem-me radical, intransigente, mas não me aproximo nem me afasto de alguém consoante as ocasiões. É algo que, para mim, não faz sentido e que, para além de me irritar solenemente, me consegue deixar profundamente enojada e até descrente das relações sociais.
São, normalmente, pessoas que tentam fazer lavagens cerebrais aos mais fracos, que se tentam impor pela simples força bruta, mascarada de «personalidade forte», que têm este tipo de atitude. Essas tais «personalidades fortes» são somente uma capa para esconder fragilidades e pouca inteligência.
Pois bem, mas aqui reside também uma enorme incoerência. Se essas pessoas podem justificar as suas atitudes agressivas e, por vezes, até mal-educadas com as características fortes da sua personalidade, então, por que é, na maioria dos casos, não dão a cara ao manifesto? Seria de pessoa forte e segura das suas qualidades, não?
Analisem, pois, as atitudes dessas pessoas que afirmam «à boca cheia» que têm uma personalidade forte. Reparem na sua fragilidade mental e na tentativa de colocar entraves ao sucesso dos outros. Notem como essas pessoas mudam mediante os seus interesses. Vejam o quão ridículas e o quão invejosas são.
Relações de conveniência? Não as tenho.

Para sempre

Hoje farias setenta e oito anos.
Mas, olha, fazes à mesma, mais não seja porque eu quero e porque mereces ter o bolo de chantilly como gostavas. «Com morangos, por cima» pedia a avó ao senhor Germano dos bolos. Eras guloso pela vida e dizias as piadas meio toscas fora de contexto porque os teus ouvidos te enganavam constantemente. Mas eu ria-me contigo e para ti e nunca de ti. Há quem diga que herdei o teu jeito de encarar as coisas com uma piada. Talvez sim.
Sabes, às vezes sentia o teu orgulho a atravessar-me pelo peito e a caminhar em direcção ao coração. Mas bem devagarinho, porque te doía as pernas. E o teu coração deixou de querer bater, não foi?
Dizias-me muitas vezes «Estou cansado, filha». E suspiravas e focavas o horizonte como se olhasses a primeira página de um livro que nunca aprendeste a ler.
Espero que o teu coração não se tenha cansado das carícias que eu lhe pintava através do teu rosto e que coloriam também o teu farto cabelo. Naquela cama de hospital, que me parecia branca demais, disse-te adeus naquele final de tarde, apesar de não querer. Mas acho que foi a tua vontade.
Tal como sempre andavas. De boné na cabeça, calças a cair, andar torto, porque a vida de trabalho nem sempre foi fácil. Viste uma filha a sucumbir em teus braços, pedalavas mais de uma hora todos os dias para ir trabalhar e, talvez por isso, tenhas moldado a tua figura à forma que as circunstâncias deixavam.
Querias sempre mais um beijinho e mais um abraço. Eras calmo e calado e adoravas a minha inquietude, as minhas palavras em alto e bom som. Eu queria que tu me ouvisses. E tu chamavas-me «maluca» em jeito de elogio, eu sei. E tu querias ouvir-me, mesmo quando eu gritava Spooooorting aos teus ouvidos de tripeiro. As discussões sobre resultados de futebol acabavam sempre com duas vozes teimosas no singular, mas cinco minutos depois já me estavas a fazer cócegas.
Não gosto de missas de comemoração de morte, acho que sabes disso. Prefiro celebrar a tua vida com breves episódios durante o meu dia e à hora de almoço, quando me sento no teu lugar de sempre começo as frases com: «Lembram-se quando o avô...?» e os sorrisos nascem imediatamente nos lábios de todos.
É assim que vives em nós.

sábado, junho 03, 2006

Hoje acordei assim

retirado de egotismo.blogspot.com

sexta-feira, junho 02, 2006

Novamente

Pé ante pé molhado perante a areia que não tinha fim, Rita alcançou o estado de pureza original, seguida pelo pecado que a levou até ali. Tinha marcado aquele encontro há meses. Porém, apesar da rápida batida do coração, os minutos não aceleravam.
À noite, o cheiro da maresia ganha contornos de um abraço e ali se deram um ao outro. Lentamente, para não acordar más lembranças.
E cada capricho fez com que a chuva se mantivesse intacta, por entre as nuvens escuras, mas iluminadas por pedidos de mais um encontro.
Mas João não respondeu. Manteve-se calado pelo olhar, como amordaçado pela vontade de não errar, outra vez. Ela deu-lhe a mão, ele dançou sobre os seus braços e balbuciou um beijo. Despido de vaidade, João chorou.
E ela, como uma ave de volta ao ninho, lacrimejou um «bem-vindo» totalmente entregue aos dois.
Só aos dois.