domingo, abril 30, 2006

Depois de adormecer

Esperou na esquina e teimou em não atravessar a estrada. «Passa para lá e depois conta-me as novidades», disse ela. «A voz que suavemente ocupa todo o sentido ilumina o meu exterior», continuou.
A dúvida nasce lado a lado da surpresa, dá as mãos ao remorso e segue.
Agora pára.
«Sim. Digo-te que não continues, mesmo que nos teus sonhos me digas o contrário».
E as imagens disparam a lembrança.
«Não me lembres o presente», pediu ele. «Preciso de fugir agora».
As necessidades continuam a renascer as ideias e estas mudam de vez. Dá-se o confronto, o espelho parte. Ameaça-se cortar o pulso da verdade, escorrendo mentira, sujando laços mais ou menos próximos.
«Tiraste-me o sonho que tinha escondido no bolso», suspirou ela.
«Acorda», rematou ele.